Família com crianças em casa, momentos de stress.

PHDA na Infância e Adolescência: desmitificar para consciencializar

A PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção) é uma das Perturbações do Neurodesenvolvimento mais frequentes na infância, maioritariamente diagnosticada nas crianças, e que pode condicionar o dia a dia, tanto dos mais novos como dos seus familiares/cuidadores, podendo interferir com as dinâmicas familiares.

Apesar de, hoje em dia, muito se falar e generalizar o diagnóstico, a PHDA tem vários critérios que precisam de se verificar de forma recorrente, em pelo menos dois contextos (os mais comuns são casa e escola). Apesar dos Psicólogos poderem indicar que se verifica a presença destes critérios, não fazem o fecho formal de um diagnóstico pois, tendo em conta que é uma Perturbação do Neurodesenvolvimento (e, por isso, inerente a funções neurológicas), tem de ser um Médico (Pedopsiquiatra ou Pediatra do Desenvolvimento, por exemplo) a poder fazer essa avaliação mais a fundo.

Tendo em conta a intensidade dos sintomas apresentados nos seis meses anteriores ao diagnóstico, consideram-se três subtipos distintos ou formas de apresentação desta Perturbação:

  • Tipo predominantemente desatento: Caracteriza-se por dificuldades (acentuadas) em manter a atenção e concentração por períodos de tempo ajustados às respetivas faixas etárias. Devido a esta distração, tendem a esquecer-se (memória afetada) de executar tarefas do dia a dia, bem como a apresentar dificuldades ao nível da autonomia, organização e planificação de tarefas.
  • Tipo predominantemente hiperativo-impulsivo: Caracteriza-se por uma hiperatividade que pode manifestar-se não só ao nível motor, como também mental e verbal. Por norma, são crianças que costumam de ser rotuladas por “falarem muito” e serem muito agitadas (“sempre ligadas a uma ficha”). Tende a verificar-se um movimento mais frequente e constante das mãos, pernas e pés, com tendência para trepar, saltar e correr de forma excessiva e em situações que tal não é esperado. A par desta dificuldade ao nível da hiperatividade, existe um agir mais impulsivo, uma impaciência vincada, uma dificuldade no controlo dos impulsos e em esperar pela sua vez. Há uma dificuldade em ouvir as instruções até ao fim, interrompendo conversas e atividades, bem como uma tendência para responder a perguntas que não foram concluídas ou completar frases dos outros. No ambiente familiar, tende a verificar-se uma dificuldade em respeitar as regras e instruções dadas pelos pais/cuidadores.
  • Tipo predominantemente misto ou combinado: Como o termo indica, as crianças que apresentem PHDA deste tipo são as que apresentam, simultaneamente, sintomas de défice de atenção e hiperatividade/impulsividade. A presença deste subtipo pode trazer uma maior complexidade, no sentido que afeta de forma igualitária a aprendizagem e o comportamento, levando, consequentemente, a uma maior tensão tanto no ambiente familiar como escolar.

É importante que, mais do que estarmos na presença de um diagnóstico, não nos esqueçamos que o mesmo não deve ser um rótulo que determina e limita quem a criança é, sem valorizar todas as suas potencialidades. Qualquer ser humano é muito mais do que as suas dificuldades e, por isso, deve ser visto e acolhido, reconhecendo-se as inúmeras capacidades que já residem dentro de si!

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *